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19/07/2010
10:06
A arte de ser um líquido ser
Ser líquido não é fácil, escorremos pelas mãos, fugimos mesmo involuntariamente, porque nossa natureza não é a de estar parado, por que para nós é muito mais fácil manter o movimento. O problema de esse estar nesse estado físico da matéria é o fato de sermos essenciais. A nossa líquida mais famosa, a água, não nos deixa mentir, o tempo todo está na mídia, querem preservar, mas ninguém quer usar com moderação. Por que os líquidos são tão compulsivamente necessários que se torna difícil moderar o consumo.
Por que os comerciais de cerveja já avisam, beba com moderação? Porque sabem que por ser um líquido, o consumo é difícil de controlar. Não se vê de fato o que se bebeu, a não ser que se contem as garrafas, os copos, os recipiente que serviram por um instante para dar forma ao líquido.
Líquido é assim mesmo, altamente fugaz, ninguém sabe ao certo o que acontece conosco. Se você pega uma água - ou não, já que não se agarra um líquido pelas partes – coloca num copo, é água que está lá. Em seguida resolve espremer uma laranja, e já não é mais água que você vai beber, é suco de laranja. A transformação é rápida. Se derrepente o copo cai da sua mão, é perda total para você, e reclamação pra sua mãe. Vai ser difícil limpar: pega o pano de chão, a vassoura e enquanto isso seu gatinho lambe. Uma parte vai para o gato, outra será absorvida pelo pano, jogada fora pela vassoura. Vai escorrer e vai sair desesperadamente correndo, como se corresse de algo ameaçador. Os líquidos têm um medo tremendo de serem presos em recipientes, e por isso correm, para se juntar a outros líquidos.
Se ser um líquido já é uma coisa difícil, imagina ser um líquido ser, hoje sai para procurar meus pares líquidos, corri muito como sempre, e por um instante dei de “cara substancial” com um obstáculo, claro que eu me dividi em dois, eu que não vou deixar um mero obstáculo me impedir de procurar meus amigos! Mas pior do que um obstáculo é uma mudança drástica de temperatura, ela aumentou e eu evaporei - sorte que os líquidos mudam, mas a essência permanece. Esperei a tempestade se estabelecer e cai pouco a pouco, aos pingos fui me refazendo até finalmente poder seguir meu percurso. Enquanto me esvaio lembro-me do tempo que passei congelado numa geladeira em forma de cubo de gelo, graças que um ser sólido tentou me segurar e deixou cair, pensa que é fácil nos segurar?!!!
Mas vou deixar de lembrar o passado, por que já vejo logo ali em frente meu amigos
“Líquidos Essenciais”, e quando nossa essência se tocar seremos uma só fórmula e um só líquido.
Por Diolene Machado
Raphael Freire
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